Saudade de um tempo em que brincar era sinônimo de jogar bete, rouba-bandeira, queimada, bolinha-de-gude, ou qualquer outra coisa de criança, e não brincar com os sentimentos de outras pessoas...
Saudade de um tempo em que chorar era porque caí de bicicleta, ralei o joelho, cortei o dedo na latinha de massa de tomate tentando passar o dedo lá dentro, e não porque dói em um lugar que remédio nenhum pode curar...
Saudade de um tempo quando beijos e abraços não tinham segundas intenções, pra mim, tão pouco pra qualquer pessoa que eu quisesse abraçar...
Saudade de um tempo em que tchau era só um jeitinho de ir pra casa de alguém comer alguma coisa e voltar pra rua pra brincar, e não sinônimo de perda...
Saudade da mamãe penteando meu cabelo e dando ‘conselhos’ pra “quando eu crescer”...
Saudade do tempo em que “quando eu crescer” ia demorar muito, e eu, idiota que era, queria que chegasse logo, mal sabendo quanta dor isso poderia trazer...
Saudade de um tempo em que gostar do coleguinha-de-sala era motivo de vergonha, que beijo na boca era estranho e curioso e não a causa de dor, lagrimas e tristeza...
Saudade de um tempo quando sofrimento era ‘coisa de adulto’ e eu ‘nunca sofreria assim’...
Saudade...
Saudade...
Tão clichê sentir saudades da infância, da inocência, mas sinceramente, alguns dias não deveriam existir em nossas vidas, ou certas pessoas JAMAIS deveriam pisar nos nossos caminhos, ou que pisassem, mas que não chutassem nossos sonhos como se fossem grãos de areia...
Saudade maior ainda de um tempo em que ter alguém por perto não significaria construir sonhos que poderiam ser destruídos com tão poucas letras...
Sonhos esses construídos sobre ruínas de uma vida com a qual nunca ousei sonhar, nunca ousei sequer imaginar possível...
Enfim, a pergunta que não quer calar: por que sofrer tanto por pessoas que não merecem?
A resposta aparece tão fácil quanto a pergunta: Porque eu permiti que essas pessoas me fizessem sofrer, porque entreguei meu coração, minha alma e tudo o que sou a pessoas nas quais eu não deveria confiar tão facilmente... Mamãe ensinou! Mas eu não aprendi: NUNCA FALE COM ESTRANHOS...ela tinha razão...
Um comentário:
"Saudade de um tempo quando sofrimento era ‘coisa de adulto’ e eu ‘nunca sofreria assim’...". Lindo texto, amiga. A gente cresceu sem querer e agora sente as coisas de gente grande. Mas gente grande um dia se acalma. A nossa hora vai chegar. Eu sei.
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